domingo, 31 de agosto de 2014

Edição do dia 03/06/2011
03/06/2011 23h22 - Atualizado em 06/06/2011 12h15

Jovens buscam internet para fugir
da solidão e acabam mais sozinhos

Por que o mundo virtual atrai jovens que se sentem sós? Psicólogo afirma que na web o adolescente garante o anonimato e afasta os receios. Só que a proteção também é virtual e pode levar a doenças e distúrbios emocionais.

 
Diante da dificuldade de fazer amigos e se integrar a outros grupos, eles se escondem atrás de uma tela de computador e se viciam no anonimato.
“Eu comecei a perceber quando o chamava para almoçar, para comer, e ele falava ‘estou indo’. E este ‘estou indo’ ia longe”, conta uma mãe que não quis se identificar.
Para proteger o filho, ela se esconde, mas é corajosa na hora de nos contar essa história. “Ele já chegou a ficar até 15 horas. Quando ele parava, era uma parada muito rápida. Engolia tudo em poucas mordidas. Às vezes, eu chegava e brincava: ‘você não tem um parelho digestivo, mas um escorredor de alimentos’”, lembra.
 
Entrar e não sair da internet era a válvula de escape de um menino ansioso, irritado e de temperamento explosivo. Na escola, ele se mantinha longe dos colegas e era sempre muito calado. Abandonou tudo o que fazia, até que a mãe pediu ajuda médica.
O adolescente foi atendido pelo o psicólogo Cristiano Nabuco, que coordena do Grupo de Dependentes de Internet, do Hospital de Clínicas de São Paulo. Ele não tem dúvida: a solidão pode levar a compulsões, e hoje a internet está entre as mais perigosas. “Se torna uma doença, quando um indivíduo, efetivamente, não consegue mais se relacionar com as pessoas a sua volta, onde a realidade concreta se torna tão ameaçadora, que ele se refugia na internet. Nunca deixo de mencionar um paciente que atendi que chegava a ficar 35 horas conectado de maneira ininterrupta”, revela.
Mas o que tem de tão fascinante no mundo virtual? Por que ele anda atraindo tantos jovens que se sentem sós? “Você garante o seu anonimato e, dessa maneira, afasta muito seus receios, suas inseguranças e, principalmente, o seu medo de não ser aceito. É uma janela para o mundo onde você se sente completamente protegido”, afirma o psicólogo.
Só que a proteção também é virtual. E pior: pode levar a doenças, a sérios distúrbios emocionais. O filho dela precisou de acompanhamento médico e terapias durante 18 meses. O resultado foi melhor do que ela esperava. O filho já teve alta. “Ele passou a ter amigos, a participar de jogos. Chegou a ser goleiro em um time que eles formaram, entre amigos. No final do ano, parou de trabalhar e disse que ia se dedicar para o vestibular e passou em duas faculdades. Então, escolheu uma”, revela a mãe do jovem.
 
 
 

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