sábado, 30 de agosto de 2014

A solidão no mundo contemporâneo; o jeito é ter um bichinho, mesmo!!!

“Prefere a solidão à má companhia, mas prefere uma boa companhia à solidão” (Recomendações de Maomé (Muhamad), de acordo com a tradição). "Obrigada por razões profissionais a me transferir para São Paulo, me encontro sozinha e sem amigos. A cidade me sufoca durante o dia e me isola à noite num pequeno apartamento de bairro. Não sei o que fazer, não tenho a quem recorrer, às vezes chego quase ao desespero. Quero gente para conversar e para conviver. Ajude-me, por favor. Cartas para "Solitária desesperada", Jornal... etc.." [1] . Pedido de socorro como esse, acima, está se tornando freqüente em São Paulo e em outras grandes cidades. Razões profissionais e casamentos dos filhos, são os principais motivos para deixar os pais sozinhos; separação conjugal, viuvez, e não ter conseguido encontrar o amor da vida, também podem esvaziar o sentido de existência de algumas pessoas. Há 30 anos atrás as festas folclóricas era um acontecimento social, ansiosamente esperado para encontros e reencontros, também existia o "footing" que animava as praças públicas das cidades interior, casamenteiras amadoras mexiam nos pauzinhos para aproximar os corações mais ou menos desesperançados, as rádios mandavam recadinhos – hoje torpedos – sinalizando a possibilidade de namoro. Muitos desses dispositivos sociais antigos sumiram ou estão em franco declínio, aumentando assim o contingente de solitários. Nossa sociedade pós-moderna caracterizada pelas comunicações eletrônicas parece mais afastar do que aproximar as pessoas. A Internet como nova onda de comunicação, promete ser um meio de fazer amizades e até uniões amorosas, mas evidentemente é preciso saber ‘mexer’ no computador, na Internet, o que não é costume da geração mais ‘à antiga’. Muitos solitários como a moça acima, deseja mais que um relacionamento virtual, demanda uma companhia real que dê sentido à própria vida. Não são poucos os que, desesperançados, terminam se virando com a companhia de um cachorro ou um gato. O filósofo Schopenhauer, um dos muitos pensadores solitários, talvez até anti-social, preferia a companhia agradável de seu cão Atma [2] à companhia humana. Lembro-me do carioca Eduardo Dusek quando compôs uma letra de música, não sei se moralista ou irônica que dizia “troque seu cachorro por uma criança pobre”. Houve gente sensibilizada até a medula, mas duvido que adotaram uma criança pobre e jogaram seu cachorrinho na rua. Como diz a psicanálise, uma criança – e adulto também - tem necessidade, demanda e desejo. Já um animal, um animal de estimação, carece de “desejo”; a “necessidade” made in instinto é que o faz viver, mas não existir. Só o ser humano deseja, dizem os lacanianos; só o ser humano existe, diziam os existencialistas. O problema é que, primeiro, qualquer ser humano é livre para dar sentido ao seu desejo do jeito que quer e pode. Segundo, nem todos desejam ter uma “criança”, nem mesmo ‘uma criança pobre’. Pode ser até que alguém deseja, mas não pode, simplesmente porque sérias limitações psíquica, física, ou econômica, a impede de adotar uma criança. Mas, podem ter um cachorrinho, um gatinho, ou os dois, como companhia possível. Afinal, é fácil se encontrar um bichinho abandonado, peramburando pelas ruas, faminto, doente, carente. “A adoção de um animal abandonado, você ganha um amigo e salva uma vida”, diz o site http://www.uol.com.br./bichos/adocao.htm.

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